segunda-feira, 7 de julho de 2008

China, Olimpíadas, milagres de crescimento e um blog novo na área

Para os visitantes em férias (ou não) e vestibulandos em especial: Tem um blog novo na Folha/uol do jornalista Raul Juste Loros que vale a visita. Como vocês devem ter percebido a China está cada vez mais na pauta dos assuntos destinados, digamos, a atualidades. Por ser motivo de atenção (multiplicada pela Olímpiada) deve ser tema recorrente nos vestibulares no fim do ano. E o blog em questão é voltado para a cobertura dos Jogos, mas com um tom didático-informativo como é a cara da Folha.


Exibir mapa ampliado
Obs: o mapa aí de cima é um link direto do google mapas. Vá dando zoom e divirta-se. Se quiser saber: Pequim (Beijing) está a Nordeste.

O texto reproduzido abaixo sucita bons questionamentos acerca dos métodos adotados e do preço de determinadas estratégias de grande sucesso, seja para crescimento econômico, "fabricação" de atletas top, venda de algum produto, conquista de mercados, etc.

Vale lembrar que a China cresce em média 10% nos últimos 15 anos, o que lhe rendeu (entre outras coisas mais dignas) umas 20 capas de Veja. O que muitas vezes se esquece de levar em consideração é exatamente os métodos adotados e o preço dessas estratégias de grande sucesso. Para ficar em apenas alguns exemplos: A hora de trabalho na China custa, em média, US$ 0,61, enquanto nos EUA é US$ 21 e na Alemanha US$ 30 (fonte aqui). Os trabalhadores não tem 13º salário, as férias são de 10 dias divididas 3, nos grandes feriados nacionais (como se fosse só natal, ano novo e carnaval e só.) Em 2007 três mil menores de 16 anos morreram trabalhando e contratos de trabalho escritos só passaram a ser obrigatórios em 1995 (fontes aqui e aqui).

Nas olimpíadas com a chuva de medalhas para a China muito se falará de mais esse milagre do crescimento chinês, e da incompetência do Brasil em não fazer igual. Não que não sejamos de fato incompetentes, mas sucessos arrebatadores não são tão simples de serem fabricados (aqui não tem aspas mesmo) como muitas vezes pode parecer...



A fábrica de medalhas da China
Extraído do blog Raul na China

Em apenas 20 anos, a China dobrou suas medalhas de ouro e se tornou a segunda maior potência olímpica. Em Atenas-2004, ganhou 32 ouros, quatro a menos que os EUA. Competindo em casa desta vez, a China pretende chegar ao topo do ranking de medalhas. Como um país que ficou de fora das Olimpíadas entre 1952 e 1984 já chegou tão longe? Se depender da China, dificilmente alguém de fora irá saber a resposta. Até para os padrões da fechada ditadura comunista, a fábrica de medalhas olímpicas é supersecreta. Visitas a centros de treinamento são proibidas, e os diversos especialistas chineses ouvidos pela Folha desconversam, dizendo que a evolução é normal. Mas relatos de vários esportistas indicam a excepcionalidade da preparação chinesa. Medalha de ouro na canoagem em Atenas, Yang Wenjun, 24, admitiu recentemente que há três anos não vê seus pais, enfurnado em um centro de treinamento onde não há televisão e fotos da família são proibidas.Técnico da seleção chinesa de remo, o russo Igor Grinko revelou que preparadores físicos chutavam atletas "moles" na hora de treinar.
Hoje tem especial na Folha sobre a Olimpíada de Pequim. As reportagens que fiz sobre a preparação chinesa você lê aqui:

A arte de fazer ri-ri-rir

Não gosto de vídeos que vira-e-mexe circulam na Internet ridicularizando pessoas simples, normalmente pobres e serviçais. Acho uma humilhação cruel.
Esse vídeo é diferente por alguns aspectos.
1. Não está claro se é fato ou armação.
2. A pessoa (Solange) é engraçada por ser gaga, não por ser ignorante (não no sentido de burra, mas de ignorar coisas). E não é humilhada. Seu rosto ou sobrenome não aparecem.
3. O mais importante: a graça não está propriamente na gagueira da mulher, mas na sensacional edição do vídeo. Vale a pena.

sábado, 5 de julho de 2008

Campeonato Mundial de Cretinices - 1ª Fase

Por enquanto a única concorrente feminina de nosso prestigiado campeonato. Foi enviada pelo João, mas me parece inferiores aos favoritos...
Aguardamos novas dicas...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Segurança e medo

Sampleado do blog da Natália

Texto: Luís Fernando Veríssimo - "Comédias da vida privada"

O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia as belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança. Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados. Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas. Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto.Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês. Mas os assaltos continuaram. Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para matar. Mas os assaltos continuaram. Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as janelas foram engradadas.
Mas os assaltos continuaram. Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível. Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso controle das saídas. Para sair, só com um exame demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno. Mas os assaltos continuaram. Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaramse para uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos. E ninguém pode sair. Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a rua. Mas surgiu outro problema. As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade.
A guarda tem sido obrigada a agir com energia.

sábado, 28 de junho de 2008

Campeonato Mundial de Cretinices - 1ª Fase

Esse é demais! Nem tanto pelo ato cretino em si (foi um acidente), mas pq o metido a fortinho foi se filmar levantando peso,e depois que fez a cretinice saiu chorando (eu achei a voz de choro, e vcs?) "Mama!! Mama!!"...
Na escola deve ser todo metidinho a popular...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

FÉRIAS!!!!

Nada como ter um tempo para relaxar e descansar...



... É por essas e por outras que o blog diminui o ritmo das postagens, mas não deixa de alimentar os famintos de mundo...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Campeonato mundial de Cretinices - 1ª Fase

Muitas pessoas têm me perguntado o que é esse campeonato mundial. Ora, é isso mesmo, um campeonato mundial de cretinices. Para participar basta ter cometido um ato cretino que não tenha causado mortes ou ferimentos graves. Vale lembrar que uma autêntica cretinice é aquela em que o próprio autor é quem faz o papel de palhaço. Para indicar um concorrente é só deixar o link nos comentários.

Esse vídeo é outro forte candidato ao título. O ônibus em questão é o veículo oficial da seleção francesa de futebol. A cretinice occoreu logo depois do jogo França e Itália, quando a França foi desclassificada após 3 derrotas na Eurocopa. Se os jogadores franceses não jogam mais aquele futebol da Era Zidane, seu motorista, bem, esse aí só vendo mesmo...

Campeonato Mundial de Cretinices - 1ª Fase

Esse concorrente foi indicado pelo Zé Otávio. Ele indicou outros 2 que eram até melhores, mas os vídeos são classificados como impróprios para menores e por isso foram vetados.

O Zé me provocou dizendo que num outro post sobre o campeonato eu estava sendo feminista: mas, reparem como é quase sempre homem quem comete essas autênticas cretinices (e no mais das vezes são adolescentes... rapazes cuidado, o prêmio só sai no fim do ano...)

Nesse vídeo, o sujeito fala em inglês, mas a música (???) de fundo não deixa dúvidas: o rapaz é brasileiro, provavelmente estava embriagado e parece ter um gosto musical bem pouco exigente.

obs: desafio vcs a indicarem um vídeo com uma cretinice cometida por mulheres...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Gabaritos das provas


Conforme combinado deixo aqui os links com o gabarito das provas.

As questões dissertativas apresentam um modelo de resposta. No entanto, nunca é demais lembrar que é a consistência e a profundidade dos argumentos apresentados que embasarão a correção desse tipo de questão.
Como vocês não ficaram com a prova, deixo também um link com as questões. Ali não constam os textos nem as figuras e tabelas, mas dá para lembrar bem do que foi pedido.

Se tiverem dúvidas quanto a correção podem deixar nos comentários que eu respondo, mas vocês podem também me procurar amanhã ou em agosto que terei prazer em ajudá-los.

Questões da prova 1º ano aqui
Gabarito do 1º ano aqui

Questões da prova 2º ano aqui
Gabarito do 2º ano aqui

Questões da prova 3º ano aqui
Gabarito do 3º ano aqui


obs: embora vá diminuir o ritmo de postagens, o blog não fechará durante as férias de forma que sua visita é mais do que bem vinda!

(Neo)liberalismo, ongs e ação do Estado

A onda (neo)liberal que varreu o mundo a partir do final da década de 70, mas principalmente após a queda do muro de Berlim e do Consenso de Washington, fez com que os Estados diminuíssem seu tamanho e suas áreas de atuação. Segundo o credo liberal, quanto menos o Estado intervir na sociedade (e na economia mais especialmente) melhor. As pessoas livremente saberiam se organizar e resolver (a maior parte de) seus problemas. Em caso de necessidade, o Estado interviria. Para garantir a propriedade privada, a segurança dos cidadãos, e um ambiente econômico competitivo, por exemplo.

Nesse cenário, cresceram as atuações de organizações civis sem fins lucrativos, as chamadas Ong's. No Brasil, mas também em muitos países desenvolvidos, as Ong's são financiadas em grande parte pelo próprio Estado, que, "incapaz" de agir em determinadas áreas repassa dinheiro para que as Ong's realizem o que ele antes realizava ou deveria realizar a partir de uma perspectiva mais intervencionista, ou menos liberal. Isso, muitas vezes leva a situações onde o Estado não garante o que deveria garantir até seguindo o credo liberal (segurança dos cidadãos e do território, propriedade privada, etc.). Um bom exemplo é o que vem acontecendo na Amazônia onde as Ong's são muitas vezes mais presentes e atuantes do que o Estado (clique aqui para reportagem da Folha.)

Mas afinal, qual deveria ser o tamanho e o papel do Estado? A questão é controversa e são vocês, famintos de mundo que devem procurar suas respostas, mas uma boa análise sobre o tema é essa de Claus Offe numa entevista para a Veja, em 1998, que continua muito atual.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Censura e a campanha CQC no Congresso

Humildemente esse blog apóia de forma total e irretrita a campanha "CQC no Congresso".

Para quem não sabe, os integrantes do programa CQC da Band foram impedidos de entrar no Congresso para fazer entrevistas. O ato de censura deve-se ao Senador Efraim Moraes, do partido Democratas.

Vale lembrar que o partido desse senador mudou de nome recentemente, e é o antigo PFL. Que é uma dissidência do PDS, que antes atendia pelo nome de Arena. A Arena, na verdade era o grande partido que apoiava o regime militar no Brasil e abrigava além dos políticos que fundariam o PFL, políticos que fundaram o PDS, que depois virou PPR, depois PPB e hoje atende pela sigla PP. Numa expressão: todos filhotes órfãos da ditadura e que agora lutam para impedir jornalistas de fazerem seu trabalho.




Para apoiar a campanha e fazer parte do abaixo-assinado que pede a revogação da proibição desses profissionais de realizarem seu trabalho clique aqui. É ultra-super-mega rápido! Basta acessar o link, colocar nome e e-mail e depois confirmar seu apoio num e-mail que você receberá.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

100 anos de imigração japonesa 1

Sabe qual o lugar do mundo que tem mais japoneses? O Japão, lógico. E depois? O Brasil.
A história da ocupação nipônica no Brasil é, no entanto, relativamente recente e comemora nesse mês seu centenário.

Como sabemos, todo movimento migratório significativo apresenta fatores de repulsão e de atração. Ou seja, para compreendermos minimamente alguma movimento migratório precisamos saber por que as pessoas saíram de seus países ou regiões e por que migraram para seus destinos, e não outros.

De uma forma geral podemos dizer que há cem anos atrás o Brasil precisava de mão-de-obra estrangeira para as lavouras de café, enquanto o Japão, passava por um período de grande crescimento populacional e mecanização do campo, causando grande desemprego. Então, para suprir as necessidades de ambos países, foi selado um acordo diplomático entre os governos brasileiro e japonês (o documento original você lê aqui ).
Nos primeiros dez anos da imigração, aproximadamente quinze mil japoneses chegaram ao Brasil. Este número aumentou muito com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), pois os japoneses foram proibidos de emigrar para os Estados Unidos, e eram mal-tratados na Austrália e no Canadá (tradicionais destinos da população japonesa que estava emigrando em massa). Assim, o Brasil tornou-se um dos poucos países no mundo a aceitar imigrantes do Japão.

100 anos de imigração japonesa 2

Apesar da atual cordialidade entre os dois países e povos, a história da imigração japonesa no Brasil não foi feita só de bons momentos.

A primeira geração de imigrantes sofreu muito com as barreiras culturais (idioma, culinária, religião) e no geral tinham o sonho de enriquecer rapidamente e voltar para o Japão.
Além disso, como é comum entre (i)migrantes, os trabalhadores japoneses eram submetidos a horas exaustivas de trabalho e a um salário baixíssimo com dois agraventes: o preço da passagem era descontado no salário; e tudo o que o imigrante consumia deveria ser comprado na mão do fazendeiro. Em pouco tempo as dívidas se tornavam quase impagáveis, e o sonho de uma volta à terra natal com os bolsos cheios virava pesadelo.
No entanto, assim como outros imigrantes, alguns japoneses conseguiram através de um sistema de parceria com o fazendeiro, comprar seus primeiros pedaços de terra. Tal ascenção social no Brasil resultou, para a grande maioria desses imigrantes, a permanência definitiva no Brasil.
O pior momento da relação entre os povos brasileiros e japoneses ainda estava por vir. Com a eclosão da II Guerra Mundial o sonho de voltar ao Japão foi sepultado quase que por todos os imigrantes. Como se não bastasse isso, o Brasil entrou na II Guerra ao lado dos Aliados e declarou guerra ao Japão e aos países do Eixo.
Durante os anos da guerra a imigração de japoneses para o Brasil foi proibida e vários atos do governo brasileiro prejudicaram os japoneses e seus descendentes (bem como os italianos e os alemães, as outras nações do Eixo). O presidente Getúlio Vargas proibiu o uso da língua japonesa, fechou escolas, e as manifestações culturais nipônicas foram consideradas atitudes criminosas.

100 anos de imigração japonesa 3

Com o término da Segunda Guerra Mundial, as leis contrárias à imigração japonesas foram canceladas e o fluxo de imigrantes para o Brasil voltou a crescer. Neste período, além das lavouras, muitos japoneses buscavam as grandes cidades para trabalharem na indústria, no comércio e no setor de serviços. Na população de origem nipônica já residente ocorre um grande êxodo rural. Os japoneses saem do campo e rumam para as cidades para concluir os estudos e melhorar de vida. A cidade de São Paulo torna-se, assim, a cidade com maior número de japoneses fora do Japão.

Como aconteceu com boa parte dos (i)migrantes que vieram para São Paulo, os japoneses tiveram sua mão-de-obra explorada, sofreram preconceito, mas com muita luta conseguiram prosperar e melhorar de vida. Ao trabalhar seja na agricultura, no comércio, na indústria ou nos serviços ocuparam vagas de trabalho que poderiam ser ocupadas por outras pessoas (brasileiros ou não). Acima de tudo, no entanto, ao trabalharem, se fixarem no Brasil e se transformarem em mercado consumidor foram (e são) fundamentais para nosso desenvolvimento econômico e identificação cultural. São Paulo não é São Paulo sem os japoneses. O Brasil não é Brasil sem os japoneses.


Arigatô!

100 anos de imigração japonesa 4

Após esses 100 anos de imigração, muito da cultura japonesa foi resignifida (sampleada) e incorporada ao Brasil. De árvores e produtos agrícolas a arte marciais e mangás, a identidade cultural brasileira, marcada pela integração de diversos povos e culturas, tem também um toque nipônico.


A recíproca, embora em menor grau também é verdadeira. Ou seja, através dos seus emigrantes e depois dos imigrantes descendentes de japoneses o Japão também tem um pouco de Brasil. O Japão conquistou o Brasil. E o Brasil conquistou o Japão.

País que convive com terremotos que fazem o chão tremer, o Japão acostumou-se (com certo contragosto) aos barulhentos visitantes brasileiros. E acostumou-se também com a visita ilustre do Maior de Todos, o único clube brasileiro que faz europeus, japoneses e toda sorte de humanos tremerem. Capaz de ganhar, na Espanha, de 4 x 0 do freguês Real Madrid (link do vídeo com os gols aqui); 4 x 1 do igualmente freguês Barcelona (vídeo com os gols aqui). Único clube brasileiro Tricampeão do mundo, o Maior de Todos foi ao Japão como campeão da Libertadores por 4 vezes (3 vezes disputando o título mundial e uma pela Recopa), e saiu vencedor em todas!!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Exploração mineral e impacto ambiental

Todos queremos aproveitar as benesses do desenvolvimento, mas muitas vezes nos esquecemos que para chegar até nós as mercadorias e mesmo os serviços passam por um longo processo até serem disponibilizados para os consumidores.
Na nossa sociedade industrializada praticamente tudo o que consumimos usa algum tipo de recurso mineral, seja diretamente (num produto que tem algum recurso mineral) ou indiretamente (nas máquinas e ferramentas necessárias para a fabricação de tal mercadoria).

Para usar esses recursos minerais precisamos literalmente arrancá-los da Terra. As formas de escavação para retirada dos recursos minerais podem dividir-se em dois tipos principais: minas subterrâneas e minas a céu aberto.

A escolha do método de lavra depende em grande parte da localização e forma do depósito mineral, e a escolha do método leva em consideração a segurança e, lógico, o preço. A retirada do minério pode ser efetuada por meios mecânicos (por exemplo com escavadoras hidráulicas) ou com recurso a explosivos (na grande parte dos casos).
Atualmente, as ações para extração de um minério até ao seu processamento são sequenciais e podem ser resumidas da seguinte forma (no caso de desmonte com explosivos):
Perfuração – o minério é furado utilizando máquina de perfuração hidráulicas; a perfuração é executada com diâmetro, comprimento e distâncias entre furos previamente calculadas;
Desmonte – os furos previamente executados são preenchidos (ou carregados) com explosivo, procedendo-se então à detonação deste e consequente fragmentação do minério;
Remoção – o minério assim fragmentado é carregado em caminhões, trens ou outro meio de transporte, até a instalação de processamento, geralmente situada próximo da mina, para baratear o tranporte.

Às vezes, quando uma grande quantidade de minério é encontrada (principalmente se for algum mineral precioso), a sociedade (nós) passamos décadas explorando o mesmo local, escavando-os continuamente. Óbvio que com isso produzimos imensos buracos (que causam alterações ambientais bastante significativas, como é de se imaginar). Abaixo alguns dos maiores exemplos:

Buraco Kimberley, na África do Sul.

Essa é uma mina de diamantes desativada. É a maior escavação feita MANUALMENTE pelo homem. Tem mais de 1 Km de profundidade e rendeu mais de 3 TONELADAS de diamante!!


Mina Bingham Canyon, Utah, EUA.

Esta é supostamente a maior escavação feita pelo homem na Terra. A extração começou em 1863 e continua até hoje, o buraco continua aumentando constantemente. Seu tamanho atual é de 1,207 km e 4,023 km de diâmetro.


Mina Diavik, norte do Canadá. A primeira foto é no verão, a segunda no inverno, com tudo congelado.


A mina é tão grande e a área tão remota que possui o seu próprio aeroporto, com uma pista de decolagem grande o suficiente pra acomodar um boeing 737.


Mina Mirny, Siberia.



É maior mina de diamantes a céu aberto do mundo. Com 525 metros de profundidade, e um diâmetro de 1200 metros no topo, existe até mesmo uma zona onde não se pode voar, pois alguns helicópteros chegaram a ser sugados.
Para se ter uma idéia melhor do seu tamanho (e também a magnitude das outras escavações aí de cima) basta ver que na foto abaixo a seta vermelha indica a localização de uma enorme carreta...

Cuba, EUA e a Nova Ordem Mundial

Foi com um certo alarde que a UE anunciou ontem a retirada total do embargo à Cuba. Vale ressaltar que ao contrário do embargo americano, a ação da UE não incuía boicote econômico, apenas restrições a viagens de autoridades européias a Cuba. A medida tem como objetivo formal estimular a abertura política do país, após a recente renúncia de Fidel Castro.

Como todos sabem Cuba é o único país socialista da América Latina e um dos poucos remanescentes do bloco liderado pela URSS durante a Guerra Fria. O embargo econômico imposto pelos EUA já dura 45 anos (é de setembro de 1962) e, segundo relatório anual da ONU, realizado em 2005, o bloqueio já causou desde o seu início até 2005, um prejuízo superior a 89 bilhões de dólares. O embargo é formalmente condenado pela ONU, que em 2006, pela 15ª vez consecutiva condenou a ação americana.

A manutenção do embargo por parte dos EUA mesmo após o fim da Ordem Internacional da Guerra Fria é mais um exemplo de uma característica marcante da Nova Ordem Mundial: a supremacia e o unilateralismo da única superpotência do mundo, os EUA. Esse posicionamento, ao contrário do que alguns apregoam não é um fato isolado ligado ao presidente Bush. O embargo econômico a Cuba por exemplo, foi ampliado e virou lei durante o governo Clinton, quando a URSS já tinha sido extinta e os EUA já tinham retomado transações comerciais com todos os outros países socialistas do mundo (com exceção de Cuba e Coréia do Norte, nação contra quem os EUA estão formalmente em guerra, mas numa trégua que já dura 55 anos).


Outros exemplos do unilateralismo dos EUA na Nova Ordem Mundial são (e sobre esse assunto ótimo artigo de Ricupero aqui):
  • Invasão do Iraque em 2003(aqui e aqui);
  • A manutenção de prisioneiros sem nenhum direito em Guantánamo e navios-prisões (aqui e aqui)
  • A não ratificação do Protocolo de Kyoto (aqui e aqui).

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Terremotos 1

Terremoto é um fenômeno de vibração brusca e passageira da superfície do planeta, resultante de movimentos subterrâneos de placas rochosas, de atividades vulcânicas, ou por deslocamentos (migração) de gases no interior da Terra, principalmente metano. O movimento é causado pela liberação rápida de grandes quantidades de energia sob a forma de ondas sísmicas.
A maior parte dos terremotos ocorrem nas fronteiras entre placas tectônicas, ou em falhas entre dois blocos rochosos. Abaixo a distribuição das placas no globo e a direção de seus movimentos.


Vale lembrar que a Terra sofre com milhares de pequenos abalos sísmicos por ano, mas só algumas dezenas são sentidos por nós.

Terremotos 2

As placas tectônicas são subdivisões da crosta terrestre que se movimentam de forma lenta e contínua sobre o manto, podem aproximar-se ou afastarem-se umas das outras provocando abalos na superfície como terremotos e atividades vulcânicas. Tais movimentos ocorrem pelo fato do interior terrestre ser bastante aquecido fazendo com que as correntes de convecção (correntes circuladas em grandes correntes) determinem a forma de seus movimentos, como mostra a figura a seguir.


Quando as correntes são convergentes elas se aproximam e se chocam sendo motivadas pela menor densidade das placas oceânicas em relação às placas continentais, sendo que a placa oceânica é engolida pela continental. As placas convergentes se colidam de forma que uma se coloca embaixo da outra e então retorna para a astenosfera (parte exterior do manto, logo abaixo da litosfera). As placas divergentes se afastam pela criação de uma nova crosta oceânica, pelo magma vindo do manto.


A maior parte dos terremotos ocorrem nas fronteiras entre placas tectônicas, ou em falhas entre dois blocos rochosos. O comprimento de uma falha pode variar de alguns centímetros até milhares de quilômetros, como é o caso da falha de San Andreas na Califórnia (na imagem ao lado vista aérea da falha de San Andreas, na planície de Carrizo). Foi nessa região que ocorreu o maior terremoto da história dos EUA, em 1906, em San Francisco, com magnitude estimada em 8,1 na escala Richter. Já o maior terremoto já registrado teve magnitude de 9,5 e foi registrado no Chile em 1960.

É nessa mesma falha que os americanos imaginam que poderá ocorrer um terremoto imenso, já previamente apelidado de Big One. Acredita-se também que a movimentação das placas tectônicas na região pode levar à separação de toda a península onde se situa a falha (veja figura abaixo), fazendo com que Los Angeles deixe de pertencer à area continental dos EUA.


Terremotos 3 - tremor em SP

Se, como vimos, terremotos são causados basicamente pela movimentação das placas tectônicas, e o Brasil está situado bem no meio de uma placa tectônica, como pode ter havido um terremoto em São Paulo esse ano?


Ocorre que os tremores podem ocorrer inclusive nas regiões denominadas "intraplacas", como é o caso brasileiro, situado no interior da Placa Sul-Americana. Nessas regiões, os tremores são mais suaves, menos intensos e dificilmente atingem 4,5 graus de magnitude.

Os tremores que ocorrem em nosso país decorrem da existência de falhas (pequenas rachaduras) causadas pelo desgaste da placa tectônica ou são reflexos de terremotos com epicentro em outros países da América Latina. Ou seja, no Brasil os abalos sísmicos têm características diferentes dos terremotos que ocorrem, por exemplo, no Japão, nos Estados Unidos, no Chile, ou na China. Nesses locais, existe o encontro de duas ou mais placas tectônicas - e as falhas existentes entre elas são, normalmente, os locais onde acontecem os terremotos mais intensos.


obs: o mais incrível desse terremoto foi a decepção de várias pessoas por não ter sentido nada, como se estar no meio de um terremoto fosse algo divertido...